domingo, 24 de agosto de 2008


Impressões2 – recordações…

Hoje, 8 de Agosto, retomo as minhas impressões. O Alfredo foi-vos relatando o seu sentir com uma distanciação que eu não possuo! Como disse, as recordações vão aparecendo fortes, vivas e os sentimentos são contraditórios! Em Luanda, os locais são imediatamente reconhecíveis, degradados uns, reabilitados outros. Neste momento a cidade é um enorme estaleiro com obras em todas as artérias. Incontáveis equipas de limpeza tentam em vão remover a terra fina e vermelha que se acumula. A atmosfera está como que envolta numa nuvem de poeira vermelha. Assemelha-se a uma cidade do deserto, só que o cacimbo, faz com que as manhãs e fins de tarde sejam bem frescas, o que ameniza um pouco este ar denso.
No fundo é a velha Luanda, degradada em muitos aspectos, mas deixando antever a sua imutável beleza! À medida que o dia avança vai-se levantando o véu, e lá pelas 16h o sol brilha num céu quase limpo!
Voltando ao 2ª dia, os caprichos do destino, levaram-me de volta ao Lar Universitário da António Barroso! O alojamento em Luanda é neste momento muito difícil de arranjar e assim socorremo-nos de uma ONGD conhecida, que após vários esforços, nos arranjou lugar num local de freiras. Ou seja, quando me dão a direcção, não queria acreditar! É verdade! Cá estava eu de volta ao local donde tinha partido! Só que… em condições inenarráveis! A rua… quem vem da A. Barroso e a partir do portão de entrada, é um charco imenso e desemboca num aglomerado de casas periclitantes. O quarto…nem vos conto! Tirei fotografias e mais tarde mostro-as…Encontro a irmã Aurora, a responsável do nosso andar, lembram-se meninas? Conta-me que neste momento, já só detêm a parte do edifício onde era o alojamento delas. O nosso lado foi vendido ao arcebispado e é explorado por uma congregação de irmãs mexicanas que são as nossas hospedeiras e que ela crítica veladamente pela falta de autoridade! Este dia é deveras desanimador, pois tudo é mau (desde o local do alojamento, ao jantar, à falta de água, ao pequeno almoço…) Se não fosse a recordação dos dias aprazíveis do fim-de-semana, passados com o primo em Viana, não sei se aguentaríamos…
Vale-nos em seguida uma amiga do Alfredo, que também aqui em Luanda em trabalho, é inexcedível em simpatia e acaba por nos levantar a moral…e o mesmo terei que dizer em relação aos nossos amigos Angolanos, que nos aconchegam com a sua simpatia!
Somos em seguida convidados para participar numa conferência, “Sociedade Civil e Política em Angola” na U. Católica, da qual já conhecem o relato. Foi uma lufada de entusiasmo ver o pulsar vivo destas forças da Sociedade Civil Angolana e rapidamente a semana chega ao fim…
Depois de uma noite agradável em companhia de amigos, voltamos a Viana ao aconchego da família! (mesmo à noite a viagem é demorada!) Há ainda a incerteza da deslocação a Malange, mas tudo se há-de resolver…
Assim optamos por relaxar e usufruir de um merecido descanso
Segunda-feira voltamos a Luanda, conseguimos alojamento mais condigno! (acho…)

Bela
Viana, 9 de Agosto de 2008

1 comentário:

Graziela disse...

Nem posso acreditar que foste encontrar a irmã Aurora!?...tanto que falamos dela! Era ela que nos abria o portão quando chegávamos ja' a passar da hora...que tapava os olhos para nào ver as "pernas peludas" do Vitó quando ele me ia buscar para a praia...
Alegrou-me saber que pelo menos o edificio ainda existe! fico á espera das fotos do quarto.
Zelinha