sábado, 9 de agosto de 2008


Impressões 1: o regresso...


Ao fim de 33 anos eis – me de regresso à minha Terra Angolana! Não sei se saberei transmitir as múltiplas sensações que me assaltam de imediato…a pouco e pouco a memória trás – me de volta a imagem, o nome, de lugares, ruas, que julgava esquecidas…É certo que muito está diferente, mas no essencial tudo está lá!Não sei bem explicar, mas a minha perspectiva mestiça de afro europeia, reconhece o caos urbano desta cidade, mas sente-se ao mesmo tempo emocionada com a simpatia, a calma deste povo, que nos acolhe com um sorriso e uma mensagem calorosa de boas vindas!Começa no funcionário do controlo de passaportes, que atento, me refere o facto de a data do meu dia de nascimento, ser a mesma que a do Presidente de Angola, facto que eu já sabia, mas que dá origem a uma troca de impressões e motiva a apreensão do Alfredo, pensando que a demora se deve a algum problema! Em seguida, quando vamos levantar a bagagem falta-nos uma mala… (esta situação começa a ser crónica)! Deveu-se ao facto de termos tido um atraso de 2h no Porto e portanto chegamos a Lisboa em cima da hora de embarque para Luanda, tendo entrado para o avião, que já estava à nossa espera, numa verdadeira correria.). Não éramos os únicos nesta situação e portanto levou imenso tempo a apresentar a reclamação. O Necas lá estava pacientemente à nossa espera e recebeu-nos de braços abertos!Mais tarde a beber uma bebida fresquinha na esplanada da antiga “Barracuda”, não resisto a ir até ao mar molhar os pés, e…o empregado logo mete conversa connosco e nos auspicia uma estadia agradável e um futuro regresso!Neste primeiro dia tudo se passa devagar…, com a lentidão saborosa deste Continente, que eu conhecia, mas efectivamente já não recordava!É verdade que levamos horas numa bicha, para obter um cartão para o telefone e a net! Mas… todos lá estavam, aguardando pacientemente a vez de serem vagarosa, mas simpaticamente atendidos…O mesmo se passa no banco para trocar moeda e… o regresso a casa, com o trânsito caótico e a forma indescritível como se conduz, leva horas para se transpor os poucos km que distam entre Luanda e Viana! Fizemos a viagem pela estrada da Samba, em direcção a Belas e logo dá para percepcionar as diferenciações de estatuto deste lugar. O “Belas Shoping” é um local profundamente cosmopolita, assim como os variadíssimos condomínios habitacionais, que respirariam qualidade de vida, fosse onde fosse que se situassem! Se no entanto, espraiares a vista para além dessas gaiolas doiradas, facilmente te apercebes dos bairros a perder de vista, a maior parte sem luz nem qualquer espécie de condições sanitárias, com locais em que camiões cisterna vendem a sua água (cada um factura cerca de 10.000 AKz (cada 1000 AKz são cerca de 8 €). A luz que por vezes entrevês, emana de geradores que alguns possuem. A quantidade de pessoas que circula constantemente é imensa (calcula-se que dos cerca de 17 milhões de habitantes de Angola, cerca de 5 a 6 milhões se encontram aqui em Luanda) e dado que o casco urbano se mantém praticamente igual ao que era em 75, esta população está alojada nestes imensos bairros periféricos.Por fim chegamos a casa do primo, no bairro chinês, que tem sido inexcedível em simpatia. É um local muito agradável, embora o acesso seja ou pareça difícil, porque rapidamente me apercebo que não é tanto assim, se o compararmos com tudo que nos rodeia. O Necas continua a desempenhar brilhantemente o seu papel de anfitrião e instalamo-nos na sua casa.Cansadíssimos depois de uma noite sem dormir, a cama sabe-nos pela vida!Chegou ao fim este 1º dia.

Bela

Viana, 1 de Agosto de 2008

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