domingo, 12 de dezembro de 2010

Os Bravos da Avelã



















Vindos de perto e de longe
em grupo em que mais são elas
chegam à Terra do Frio
vendo a neve pelas janelas.
Num belo dia de Sábado
fazem-se ao caminho dos montes
a estada pr’a trás vai ficando
não sem passar algumas pontes.
Em número de 7 se contam
toda bagagem preparada
pr’a além de vinhos e frutos
sem contar com a feijoada…
Nada estraga o panorama
Nem o jindungo falta faz
dado que o casal hospitaleiro
mostra bem do que é capaz.
O sol escondendo se vai
Na terra distante de Negrões
nesse dia 4 de Dezembro
não muito longe de Pisões.

Da serra se vê a barragem
com neve e agua à mistura
bate-se o dente, pois claro,
por causa da temperatura.
E já o jantar se prepara
com todos os olhos pasmados
uma bela arrozada de frango
e uns deliciosos panados.
Tudo se arruma em casa
p’ra deliciar o momento,
e toda a gente de acordo
mas que belo apartamento.
Pr’ó Domingo se preparam
apesar da muita preguiça
planos muitos se arquitectam
mas que não incluem a missa…
A surpresa que se adivinha
o ânimo não esmorece
sim, a chuva que se abate
e cada um faz o que lhe apetece.
Porém há sempre um consenso
para o que vai acontecer
um projecto a todos comum
é preciso comer e beber!
Assim se descobre o Restaurante
ele é a vitela e os rojões
graças ao homem das vacas
e uma alheira a fazer de tapas.
A maioria não arrisca
depois daquela petiscada
a caminha p´ra casa de novo
que a tarde já vai avançada.
Só 2 se fazem á estrada
com um sorriso bem alegre
nós, p´ra casa ainda é cedo
o caminho é: Montalegre!
Compras é preciso fazer
depois de tudo combinado
e o turístico passeio
acaba no …. Supermercado.
E não é que à saída
da dita casa de compras,
encontram o hospitaleiro casal
então o que é que contas?
Conto que vamos às compras
não é assim grande proeza
mas acho que devíamos visitar
aquela loja chinesa…
E a cena logo se consuma
com muitos lls à mistura
o “tlinta e oito” e o “qualenta e um
e compras com muita fartura.
E que, de passagem se diga
que muito nos divertimos
c’o a ajuda do patrão chinês
mercamos, falamos e rimos!

Cai o Domingo e a chuva
que nos quer acompanhar
p’ra todo o lado que vamos
acaba por nos brindar.
vem a Segunda e com ela
Mais chuva e céu nublado
mas nada abala este Grupo
e ninguém fica calado…
com muita asneira à mistura,
ninguém arrisca previsão
mas quando é que temos sol
será que só no Verão ?
E como a espera desespera
p’ra entreter os tempitos
nada melhor que a lareira
e o vinho: uns litritos….
Programa-se uma saída
com o Grupo satisfeito
e onde é que vamos agora (?)
de novo a Montalegre e a preceito.
E há uma pobre infeliz
apoquentada na cervical e lombar
que à barrosã posta diz não
porque em casa tem que ficar;
muito embora os companheiros
dela se virão a lembrar…
Mais uma noite que cai
à espera de dias melhores
e que vai fazendo o registo
minhas senhoras e senhores.

Dos fracos não reza a história
diz o povo e com razão
e este Grupo de malta
faz das tripas coração;
não tem medo das intempéries
e passeia à noite com o cão
come e bebe que se farta
com muita convicção…
E não se esquece do 1º dia
em que houve um grande nevão
e faz a Festa, porque a Vida
sem ela não teria razão!!!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

A ignóbil ameaça

As medidas hoje anunciadas pelo Primeiro-Ministro confirmam as previsões dos analistas sobre o já designado PEC 3, ou seja, um terceiro assalto ao bolso dos portugueses mais desfavorecidos, em nome da “consolidação orçamental”, do “interesse nacional”, ou no limite, recordando tempos passados, “a bem da nação”. Convém desde já ler como deve ser, não esquecendo que tudo isto vem sendo devidamente preparado, nos jornais, na rádio e na TV, por comentadores políticos e económicos sobejamente conhecidos pelo seu horror aos trabalhadores. De facto, Medinas, Catrogas, Miras Amarais, Salgueiros, Cadilhes e outros da mesma laia, a quem é dado tempo de antena de forma vergonhosa, foram destilando a pouco e pouco a sua verborreia, induzindo medidas que agora são uma realidade. Esses embaixadores da desgraça, que recebem mais que uma reforma dourada, acabam por convencer a opinião pública da inevitabilidade de uma situação que ajudaram de forma velada a criar. E agora aí está: os cortes nos salários, o aumento escandaloso do IVA, os cortes nos benefícios sociais, tudo devidamente quantificado. Tudo, menos uma tímida medida, designada “imposto sobre os serviços financeiros”, decerto para ficar na sombra, numa névoa suficientemente light, para disfarçar o resto.

A “consolidação orçamental”, não passa de um mito. A obsessão pelo défice vai até ao limite de matar a economia pela raiz, destruir o aparelho produtivo, em nome de uma terciarização sem bases sustentáveis, seguindo as ordens de uma confederação de interesses de uma União Europeia verdadeiramente fracassada, enquanto projecto e vendida ao poder do sector financeiro especulativo, produtor da crise e protegido pelos Estados e pelos Governos centrais. Como interpretar, por exemplo a “protecção” oferecida à Banca, em Portugal, que pagou ao Estado 5%, em 2009, menos 20% que qualquer empresa? Quem dita o que se deve fazer é a OCDE: “O esforço de consolidação orçamental de que a economia nacional necessita é considerável e, por isso, o Governo português deve estar pronto para aumentar impostos” (27/Setembro 2010).

O “interesse nacional”, uma figura de estilo utilizada pelo Governo, para pedir sacrifícios ao povo, reforça a ideia da inevitabilidade. Mas o que é de facto o interesse nacional? O interesse de um trabalhador que ganha o salário mínimo nacional será o mesmo que o de um gestor da Banca, de uma grande Empresa, de um seleccionador nacional de futebol? Só mesmo um parvo, ou demente mental pode acreditar em semelhante alegoria. Mas é assim que se constrói mais um mito, ao tentar meter no mesmo saco tudo e todos. Por isso, é que esta treta é rigorosamente a mesma coisa que a figura abjecta, utilizada por Salazar: “a bem da Nação”. Um exemplo bem recente veio precisamente do Ministro dos Negócios Estrangeiros que defendia a imposição do limite do défice, na própria Constituição da República…

Por essa Europa, os governos aparentados com a designação “socialista”, são os melhor cumprem a tarefa de aprofundar a diferença abissal entre ricos e pobres. Utilizando uma linguagem “social” e “reformista”, vão levando a cabo uma vergonhosa política de submissão aos interesses do capital, desvalorizando o valor do trabalho, reduzindo a margem de manobra das organizações dos trabalhadores, promovendo de facto a precariedade e, no limite, o desemprego. Tem sido esta a linha do Partido Socialista no nosso País, sempre aliado à direita parlamentar, elegendo sempre os mesmo, como parceiros para aprovação de orçamentos, PECs e outras medidas penalizadoras dos trabalhadores. Aí sim, está a olhos vistos, uma conjugação de interesses, já que, na prática, são invariavelmente os mesmos: vão dividindo entre si os postos-chaves do aparelho de estado, da cúpula das empresas públicas e dos bancos, fontes propícias ao esbanjamento de recursos, espaços de partilha de regalias incomensuráveis e no limite, de escândalos sucessivos, alguns deles com resultados bem conhecidos.

A ameaça é mesmo ignóbil. Aos direitos dos trabalhadores, à sua dignidade pessoal e profissional. A redução progressiva do poder de compra e da estabilidade no emprego, induz o receio e o medo de represálias. O poder reivindicativo dos trabalhadores nestas condições é praticamente nulo. A sua inserção numa sociedade de liberdade e democracia é ferida de morte. Em Portugal, convém não esquecer, há 2 milhões de pessoas, perfeitamente arredadas de direitos, vivendo em condições de pobreza e/ou de pobreza extrema. Aquela que é apresentada agora pelo Governo como uma medida “patriótica e de interesse nacional”, o aumento do IVA para 23%, vai significar o aumento de preço dos bens essenciais, dos transportes, dos medicamentos, enfim de praticamente tudo, penalizando as camadas mais desfavorecidas da população.

A ameaça, para além de ignóbil, é também imoral. Estimula e amplifica as desigualdades. Merece repúdio generalizado. Implica uma resposta rápida e eficiente das organizações dos trabalhadores e outras organizações da sociedade civil. Como hoje já aconteceu em toda a Europa, nomeadamente em Bruxelas, com 100 mil manifestantes vindos de toda a União Europeia.